Temas em Economia
30.12.09
22.11.09
Ajuda econômica internacional
Nicholas Kristof resume o debate atual sobre a efetividade da ajuda econômica internacional aos países pobres, em artigo publicado em The New York Times.
18.11.09
2.11.09
Avanços da escolaridade no Brasil
Da coluna de Naércio Menezes, no Valor Econômico deste fim de semana:
- "A figura acima mostra que a porcentagem de jovens que, aos 22 anos de idade, tinha concluído apenas alguma série do ensino fundamental era de 60% em 1998 e declinou para 30% em 2008. A parcela de jovens que atinge o ensino médio passou de 30% para 50%, enquanto a parcela que chega ao ensino superior está perto de 20%, ou seja, dobrou nos últimos 10 anos. Analisar o perfil educacional dos mais jovens é importante porque as mudanças na margem antecipam o que acontecerá com os trabalhadores do país no futuro, quando esses jovens forem incorporados ao mercado de trabalho, se o ritmo da evolução educacional permanecer o mesmo".
- "Ainda há muito a ser feito, em termos de acesso à educação no Brasil. Somente 55% dos nossos jovens entre 25 e 29 anos de idade completam pelo menos o ensino médio. Nos EUA, essa porcentagem atualmente é de 90%. Ela era 55% em 1950, ou seja, estamos 58 anos atrasados. Com relação ao ensino superior, 30% da população americana acima de 25 anos de idade hoje tem ensino superior, enquanto no Brasil esse índice ainda é de 10%".
- "Em termos salariais, continua valendo a pena estudar, apesar da entrada maciça de jovens mais educados no mercado de trabalho. Entre os empregados, o salário médio dos que pararam de estudar em alguma série do ensino fundamental dobrou nos últimos 10 anos, passando de R$ 305 para R$ 605, como resultado dos aumentos reais de salário mínimo. O salário médio das pessoas que concluíram o ensino médio aumentou 48% no mesmo período, enquanto a remuneração dos formados no ensino superior aumentou só 35%. Mesmo assim, quem completa o ensino superior hoje no Brasil recebe, em média, R$ 2.500, cerca de 4 vezes mais do que quem parou de estudar no ensino fundamental. Já a diferença salarial entre quem completa o ensino médio e quem tem somente o ensino fundamental é de 59%".
1.11.09
Crise financeira internacional de 2008
Abaixo links para um excelente conjunto de artigos relativos à crise financeira internacional de 2008:
Alan Greenspan. The roots of the mortgage crisis.
Alan Greenspan. The Fed didn’t cause the housing bubble.
Barry Eichengreen. The last temptation of risk.
Dani Rodrik. Who killed Wall Street.
Guido Tabellini. Lessons for the future: ideas and rules for the world in the aftermath of the storm.
John Taylor. How government created the financial crisis.
Martin Wolf. Financial globalisation, growth and asset prices.
Robert Frank. Pursuit of an edge, in steroids or stocks.
Robert Frank. Flaw in free markets: humans.
Robert Shiller. How a bubble stayed under the radar.
Tyler Cowen. Three trends and a train wreck.
29.8.09
Valorização da taxa de câmbio - a doença brasileira
Porque a taxa de câmbio tende à valorização no Brasil, de acordo com Samuel Pessoa, em matéria publicada no Valor Economico:
"O nível do câmbio está muito associado ao nível de poupança do país. Países que poupam pouco, como o Brasil (no primeiro trimestre, foram apenas 11,1% do PIB), tendem a ter um câmbio mais valorizado. A China, que poupa cerca de metade do PIB, tem facilidade para ter uma taxa de câmbio desvalorizada. Assim, a melhor opção para o Brasil ter uma moeda mais competitiva seria aumentar o nível de poupança pública, o que passa pela contenção de gastos públicos".
Educação básica no Brasil
Dados publicados no livro "Educação Básica no Brasil", organizado por Fernando Veloso, Samuel Pessoa, Ricardo Henriques e Fábio Giambiagi:
- Enquanto apenas 30% da população com 25 anos a 64 anos de idade completou o ensino médio no Brasil, o percentual atinge 88% nos Estados Unidos, 83% na Alemanha, 77% na Coréia do Sul e 50% na Espanha e Chile.
- Comparando-se esse indicador para os grupos etários de 25 a 34 anos (os jovens de hoje) e de 55 a 64 anos (os jovens de três décadas atrás), verifica-se que, na Espanha, no grupo de 55 a 64 anos, apenas 27% têm ensino médio completo, ao passo que entre os mais jovens (25 a 34 anos) o percentual atinge 64%. No Chile, tais porcentagens são de 32% e 64%, respectivamente. Na Coréia do Sul, não apenas os mais idosos têm níveis de educação similares aos dos jovens de hoje no Brasil (37%), mas o percentual de jovens que concluiu o ensino médio atingiu 97%. No Brasil, as mesmas percentagens correspondem a 11% e 38%, uma diferença de 27%, bem menor do que os 60% de diferença da Coréia do Sul.
2.8.09
Redução da criminalidade
Em 2000, ocorriam em média 15 assassinatos por dia em São Paulo - capital. Agora, são 3,5. As causas desta redução, segundo a Folha de São Paulo, foram a forte expansão no número de unidades prisionais, o investimento na capacitação policial, o aperfeiçoamento de métodos e o aumento dos índices de elucidação de crimes, o fim das grandes ondas de migração e a elevação da idade média da população.
Em artigo em The New York Times, também publicado hoje, estes e outros fatores são mencionados como explicação para a queda rápida e generalizada das taxas de criminalidade nos Estados Unidos, mas a conclusão é que não se sabe ao certo o que está por trás desta tendencia.
26.7.09
Investimento e déficit em conta corrente

- "Superávits em conta corrente estão associados no Brasil a menor investimento, como mostra a evolução trimestral da conta corrente como proporção do PIB e da taxa de investimento (a preços de 2000), desde 1995".
- "Para acelerar o crescimento, é preciso, portanto, aceitar déficits em conta corrente. Isto somente não ocorreria se houvesse uma elevação da poupança nacional, mas não há indicação de que a atual política econômica esteja levando a esse resultado. O Brasil poupa menos de 20% do PIB - no primeiro trimestre de 2009, apenas 11,1% do PIB. Com uma conta corrente deficitária, o país absorve poupança externa, que complementa a baixa poupança nacional".
- "O consumo das famílias na China atualmente é de 35% do PIB, muito mais baixo do que o consumo em relação ao PIB no Brasil (superior a 60%). Com um consumo tão baixo, a poupança tem que ser bem mais alta. A China poupa 50% do PIB, o que lhe permite manter superávits na conta corrente e taxas muito elevadas de crescimento. Se o Brasil quiser seguir este modelo, terá que elevar a poupança nacional, o que significa, entre outras coisas, que o governo tem de parar de aumentar os gastos de custeio e de consumo, elevando os investimentos".
25.7.09
Causas da redução do coeficiente de Gini no Brasil
O coeficiente de Gini se reduziu de 0,59 para 0,53, entre 2001 e 2007, no Brasil.
Em artigo da serie One Pager, publicada pelo International Policy Centre for Inclusive Growth, Degol Hailu e Sergei Soares atribuem um terço desta queda a melhoras na educação, verificadas desde o início dos anos 90 e decorrentes da universalização do acesso ao ensino primário e da redução das taxas de repetência.
Outro terço da redução do coeficiente de Gini seria explicado, segundo os autores, pelos vários programas de transferência de renda instituídos no Brasil, nos últimos 15 anos.
28.6.09
Fatos estilizados do crescimento
Charles Jones e Paul Romer descrevem, neste artigo, os "novos" fatos estilizados do crescimento, identificados pela vasta literatura empírica sobre crescimento econômico, produzida a partir de meados dos anos 80:
- "Fluxos crescentes de bens, recursos financeiros, pessoas e idéias têm aumentado a extensão do mercado para trabalhadores e consumidores".
- "Há milhares de anos, o crescimento da população e da renda per capita tem se acelerado, passando de praticamente zero para as taxas relativamente altas observadas no último século".
- "A variação nas taxas de crescimento da renda per capita aumenta com a distancia em relação à fronteira tecnológica".
- "Diferenças na quantidade de insumos explicam menos da metade das grandes diferenças de renda per capita entre os países".
- "O capital humano por trabalhador está crescendo rapidamente em todo o mundo".
- "A quantidade crescente de capital humano em relação ao trabalho não qualificado não tem sido acompanhada por um declínio sustentado no seu preço relativo".
12.6.09
Frase do dia
"Um erro comum é tomar altas taxas de crescimento como medida de sucesso, tendo em vista que o crescimento surge e desaparece misteriosamente. Os fracassos de ontem no que diz respeito ao crescimento (por exemplo, a Índia) são os sucessos de hoje, enquanto os sucessos de ontem (por exemplo, o Brasil) são os fracassos de hoje. A maior parte desta volatilidade é inexplicável e imprevisível. Conceder crédito a quem quer que seja o líder que esteja no poder durante um surto de crescimento é apenas raciocínio circular - como sabemos que ele é um grande líder? porque houve crescimento elevado" (William Easterly, Financial Times - 28 de maio de 2008).
31.5.09
História e desenvolvimento econômico
Nathan Nunn faz uma ampla revisão da literatura empírica que examina os efeitos de longo prazo de eventos históricos sobre o nível atual de desenvolvimento econômico dos países, neste NBER Working Paper.
17.5.09
Causas da Grande Moderação
O que explica a Grande Moderação, os 25 anos de crescimento econômico quase ininterrupto com baixa inflação, nos Estados Unidos, entre 1982 e 2006?
Para alguns economistas, este teria sido o resultado de avanços na condução da política econômica, em particular da política monetária. Virginia Postrel apresenta outras interpretações, neste artigo em The Atlantic.
A crise financeira americana, segundo Posner
Duas resenhas do recém-publicado livro de Richard Posner sobre a crise financeira americana - de Robert Solow, em The New York Review of Books, e de Jonathan Rauch, em The New York Times.
22.3.09
Greenspan (se) explica (II)
John Taylor, em artigo publicado em The Wall Street Journal, resumindo a análise do seu NBER Working Paper mencionado aqui, atribuiu a crise financeira americana a "excessos" da política monetária conduzida pelo FED, especialmente em 2003-05.
Alan Greenspan se defende neste artigo, também no WSJ.
21.3.09
Taxa de juros real no Brasil (III)
Determinantes da alta taxa de juros no Brasil, segundo Luiz Carlos Mendonça de Barros, em sua coluna do Valor Econômico - edição de 16 de março:
"O Brasil é conhecido como o campeão mundial dos juros altos. Várias teses apareceram para explicar este aleijão - sistema tributário ineficiente, insegurança jurídica, fragilidade cambial e elevada dívida pública, ou uma combinação de tudo isso. Todos estes fatores, embora importantes, não tocam na questão central que sempre foi a falta de um processo continuado de investimento e de abertura da economia. A insuficiência de investimentos em uma economia fechada faz com que qualquer choque positivo de demanda se transforme em pressões inflacionárias, obrigando o Banco Central a abortar o processo de crescimento. Com isto, a sequência - aumento da demanda, aumento dos investimentos, ganho de produtividade - não se realizava plenamente no Brasil desde o início dos anos 80. Mas hoje temos uma economia diferente. O ajuste de nossas contas externas criou um espaço econômico mais eficiente e equilibrado, reduzindo as pressões inflacionárias de natureza estrutural. Além disso, o fortalecimento das contas externas reforçou o processo de abertura da economia que já vinha ocorrendo desde os anos 90. O encadeamento das cadeias produtivas locais com a economia mundial e a exposição da economia à competição dos importados aprofundou-se nos últimos anos. As empresas brasileiras souberam responder ao desafio, conquistaram mercados, ganharam produtividade rapidamente e reduziram gargalos de produção. Mesmo a infraestrutura teve ganhos importantes a partir de investimentos privados. Com tudo isso, reduziu-se o espaço para que os choques positivos de demanda se transformassem rapidamente em pressões inflacionárias e alargaram-se os horizontes de planejamento empresarial, fator essencial para o investimento. Em suma, houve importante mudança no funcionamento de nossa economia. Foi um processo complexo, que aconteceu a partir do Plano Real e foi consolidado com a ascensão da China e sua integração ao tecido produtivo internacional".
De quem é a culpa
Danny Rodrik argumenta neste artigo que os economistas, não a teoria econômica, devem ser responsabilizados pela crise financeira internacional.
15.2.09
Alavancagem (II)
"A causa principal do colapso do sistema financeiro global reside na queda abrupta dos valores dos bens. O efeito da queda nos preços dos ativos é multiplicado pela alavancagem que existia nos balanços dos grandes bancos. Em muitos casos, o valor total dos ativos era 25 ou 30 vezes maior do que o capital. Uma perda média de 3% nos ativos, num banco alavancado 30 vezes, resulta na perda de 90% do capital. Essa alavancagem excessiva resultou em grandes perdas, que, por sua vez, levaram à insolvência de muitas das maiores instituições financeiras em várias economias" (Flávio Bartman, em entrevista publicada na Folha de São Paulo - edição de 7 de fevereiro de 2009).
1.2.09
O boom de Lula (III)
Informações publicadas pela Folha de São Paulo, em editorial na edição deste domingo:
"As contas públicas em 2008 trouxeram números superlativos. O superávit primário foi de 4,1% do PIB - o terceiro mais alto já registrado nas estatísticas iniciadas em 1991. O gasto com juros foi de 5,5% do PIB, o mais baixo em 11 anos. Assim, o governo obteve o mais baixo déficit fiscal (nominal) já observado, 1,5% do PIB. O endividamento líquido, tendo iniciado o ano em 42% do PIB, fechou 2008 em 36% do PIB. Esses resultados foram possíveis pelo crescimento forte da arrecadação, reflexo da expansão da atividade econômica até o terceiro trimestre. A crise pode trazer alívio pelo lado das despesas financeiras, pois a taxa básica de juros já começou a ser reduzida pelo Banco Central. Mas uma provável quebra nas receitas tributárias, causada pela fraca atividade econômica, imporá um grande desafio para 2009. Como o governo não se preocupou em frear as despesas de custeio da máquina estatal, é o investimento público, de crucial importância para a retomada econômica, que mais uma vez está na alça de mira".
31.1.09
A crise financeira americana, segundo Taylor
John Taylor explica o que houve de errado, neste NBER Working Paper.
2.1.09
Distribuição de felicidade
Embora a distribuição de renda nos Estados Unidos tenha se tornado mais desigual, a distribuição de felicidade se tornou mais igualitária nos últimos 35 anos. O hiato de felicidade desapareceu entre homens e mulheres, se reduziu em dois terços entre brancos e negros e se contraiu também entre os quartis mais e menos feliz, segundo artigo de Eduardo Porter, publicado em julho de 2008, em The New York Times.
A crise econômica atual pode ter mudado este quadro? O mais provável é que não, de acordo com Sonja Lyubomirsky, em artigo também publicado no NYT, em dezembro.
31.12.08
Conversas com economistas - Romers e Rogoff
A seção de Minneapollis do Federal Reserve Bank edita a revista The Region, a qual regularmente publica entrevistas com economistas de prestígio.
A lista de entrevistados inclui Arrow, Bernanke, Blinder, Buchanan, Friedman, Harberger, Lucas, Prescott, Sargent, Stigler, Stiglitz e Tobin, entre outros.
Nas duas últimas edições da revista, foram entrevistados Cristina e David Romer e Keneth Rogoff.
27.12.08
Pluralismo acadêmico
John Kay, professor da London School of Economics, define, em artigo no Financial Times, os limites do pluralismo acadêmico:
"Saudar a existência de visões divergentes não é o mesmo que dizer que qualquer coisa vale. Há uma diferença entre aceitar que possa haver interpretações alternativas da mesma evidência e respeitar um ponto de vista para o qual não existe evidência simplesmente porque alguém o defende".
Bolsa- Família e educação
"10,6 milhões de brasileiros receberam recursos do Bolsa Família em outubro de 2008. Se considerarmos um número médio de quatro pessoas por família, isto significa que cerca de 42 milhões de pessoas estão sendo beneficiadas pelo programa, ou seja, 22% da população brasileira. O custo do programa é baixo, em torno de R$ 832 milhões mensais, ou R$ 80 por família. Vários estudos já mostraram que o Bolsa Família tende a reduzir a desigualdade e a pobreza extrema. Além disto, sabe-se que seus impactos na oferta de trabalho são praticamente inexistentes, ou seja, que as pessoas não deixam de trabalhar porque recebem os benefícios do programa. Parece que, pelo contrário, muitas mães começam a trabalhar quando seus filhos voltam a freqüentar a escola, que é uma das exigências do programa. Mas é importante ressaltar que a maior parte da redução da desigualdade observada entre 2001 e 2007 decorreu do progresso educacional observado na década passada e não do programa Bolsa Família. Além disto, para que a pobreza seja reduzida no longo prazo, é imprescindível melhorar a qualidade da escola pública, para que os filhos das famílias pobres de hoje possam ingressar no mercado de trabalho com um emprego decente no futuro".
26.12.08
Deflação
Quais são as causas e efeitos de uma deflação de preços? O que distingue a deflação "desejável" da "indesejável"?
Quando sinais de deflação surgiram na economia americana em meados de 2003, The New York Times publicou artigos de Virginia Postrel, Hal Varian e Jacek Rostowski, respondendo a estas perguntas.
25.12.08
Alavancagem (I)

Em defesa da torre de marfim
Arrumando as gavetas durante o feriado, encontrei este artigo de Stanley Fish sobre a missão das instituições acadêmicas. Invertendo a conhecida frase de Marx, Fish diz que "na academia, nosso trabalho não é mudar o mundo, mas interpretá-lo".
Você pode se informar sobre Fish e suas idéias aqui.
Ranking do futebol brasileiro (II)
Na edição 2008 do ranking do futebol brasileiro, publicado pela Folha de São Paulo, o Cruzeiro se manteve na sétima posição, agora com 650 pontos e mais próximo de Santos e Vasco, que não pontuaram este ano. A lista dos top 10 não se modificou em relação ao ranking de 2007.
A competição local tem apenas 482 pontos e precisaria vencer 5 Copas Libertadores ou 24 campeonatos mineiros para igualar a pontuação do Cruzeiro.
30.11.08
Transição demográfica no Brasil (II)
O IBGE divulgou, no dia 27 de novembro, novas projeções para o crescimento demográfico no Brasil até 2050, baseadas nos dados das PNADs de 2002 a 2006.
Abaixo são reproduzidas as principais conclusões do estudo:
- A população do Brasil é hoje de 189,6 milhões de pessoas (crescimento de 1,05% em 2008) e alcançará o pico de 219,1 milhões em 2039, passando a declinar a partir daí.
- A taxa de fecundidade total já se encontra abaixo do nível de reposição das gerações, tendo chegado a 1,95 em 2007. Estimada em 1,86 em 2008, a fecundidade deverá se estabilizar no nível de 1,5 filhos por mulher em idade fértil a partir de 2028.
- A participação da população em idade ativa (15 a 64 anos) na população total, que correspondia a 57,7% em 1980, alcancará o pico de 71% em 2022, passando, então, a declinar em consequência do aumento da proporção de idosos na população total.
- Metade dos residentes no Brasil tinha menos de 20,2 anos em 1980. Com o envelhecimento da população, a idade mediana será de 28,8 anos em 2010 e de 39,9 anos em 2035.
- A expectativa de vida ao nascer era de apenas 45,5 anos em 1940, chegou a 72,7 anos em 2008 e alcançará 81,3 anos em 2050 (ainda inferior à do Japão atual - 82,6 anos).
- A expectativa de vida no Brasil poderia hoje ser 2 ou 3 anos mais elevada, não fosse o efeito da morte prematura de jovens, em decorrência da violência.
- A taxa de mortalidade infantil (crianças de menos de 1 ano) era de 100 por mil em 1970 e de 46,9 por mil em 1990, encontrando-se atualmente no patamar de 23,3 por mil (Argentina = 13,4 por mil). O valor projetado para 2015 é de 18,2 por mil, superior ao valor de 15,6 por mil correspondente à Meta do Milênio, no caso brasileiro.
Sobre a transição demográfica no Brasil, ver também esta postagem anterior.
27.11.08
Atlético rebaixado - terceiro aniversário
9.11.08
O boom de Lula (II)
"Em 2004-08, o PIB deve crescer 4,6% ao ano, quase o dobro dos 2,4% da década anterior. A expansão do crédito foi um traço marcante desse ciclo. Nos cinco anos até setembro, o crédito bancário saltou de 23,4% para 39,1% do PIB; o spread de juros nas operações com pessoas físicas caiu de 52,1% para 38,6% (batendo em 31,9% em dezembro de 2007, antes da alta do IOF), enquanto o prazo médio dessas operações subiu de 291 para 480 dias. Um dos pilares do boom de financiamento foi o fortalecimento da segurança jurídica. A criação do patrimônio de afetação, do crédito consignado e da alienação fiduciária de imóveis (em adição à já existente para veículos) deu mais confiança aos credores. Isso se refletiu no custo e disponibilidade de financiamento".
Crescimento (falta de) - educação (VIII)
De acordo com dados da PNAD 2007, a média nacional de anos de estudo no Brasil está em 7,3, com acentuadas disparidades regionais (6 no Nordeste, 8 no Sudeste). Houve ganho de pouco mais de 1 mês de escolaridade entre 2006 e 2007 e de 1 ano e meio, se considerada a década completa. Nesse ritmo, os 8 anos de escolaridade média só serão alcançados em 2012 e os 11 anos apenas em 2033 (Folha de São Paulo, edição de 16 de outubro).
8.11.08
Causas da Grande Depressão (III)
"Além das equivocadas ações do Federal Reserve, dois erros de política econômica agravaram e prolongaram a Grande Depressão. O primeiro foi a Lei Smoot-Hawley, de 1930, que impôs tarifas a mais de 20 mil mercadorias e deflagrou uma guerra comercial que reduziu em aproximadamente um terço o comércio mundial. O segundo foi a rápida expansão da sindicalização na esteira da Lei de Recuperação da Indústria Nacional (NIRA) e da Lei Nacional de Relações Trabalhistas (NLRA). Um estudo de Lee Ohanian e Harold Cole, professores da Universidade da California - Los Angeles, verificou que 60% da diferença entre a produção real e sua tendência de longo prazo durante a Grande Depressão deveu-se à NIRA e à NLRA. A cartelização, ou aumento coordenado de preços pelas empresas, que Franklin Roosevelt permitiu depois que os sindicatos organizassem determinado setor, desempenhou um papel no aprofundamento da Depressão. Mas talvez o componente negativo crucial tenha sido o enorme crescimento da sindicalização, de 13% da força de trabalho em 1935 para 29% em 1939. Com a crescente sindicalização, dobrou o número de greves e aumentou sua eficácia, porque as novas regras permitiram que os trabalhadores empregassem táticas que paralisavam fábricas".
6.11.08
Para entender as divergências entre economistas (II)
O debate acerca do pacote de ajuda às instituições financeiras, aprovado recentemente pelo congresso americano, revelou uma divisão dos economistas entre "fundamentalistas" e "realistas". Esta é a opinião de Paul Romer em postagem em The Growth Blog, que encontrei via blog do Mankiw.
Entradas anteriores nesta serie foram reunidas aqui.
5.11.08
Armadilha da liquidez
A economia americana está presa na "armadilha da liquidez" e necessita de um significativo aumento do gasto público para escapar dela, segundo Paul Krugman, em sua coluna em The New York Times.
29.10.08
O boom de Lula (I)
O que determinou o boom de Lula, segundo Alexandre Schwartzman, na edição de hoje da Folha de São Paulo:
"De 2002 até meados deste ano, a conjuntura internacional se mostrou extremamente favorável ao Brasil. O país foi beneficiado, em primeiro lugar, pelo aumento de preços de commodities. Como exporta muito mais commodities do que importa, a alta resultou em preços de produtos exportados crescendo acima dos preços de importados, isto é, houve melhora dos termos de troca. Conjugada à expansão dos volumes exportados, em parte derivada da expansão do comércio global, essa melhora implicou forte elevação da capacidade de importar: entre 2002 e o terceiro trimestre de 2008, estima-se que o poder de compra das exportações tenha crescido 80%. Esse processo permitiu que a demanda doméstica passasse a crescer acima da produção, o que não observávamos desde 1997/98, quando preços de commodities em queda haviam piorado nossos termos de troca. Obviamente, se a demanda doméstica cresce mais rápido que a produção, a diferença deve ser coberta com importações físicas crescendo acima das exportações físicas, o que foi possível principalmente pelo aumento do poder de compra das exportações. Completando esse quadro, a expansão da liquidez mundial barateou o financiamento, trazendo vastos volumes de capital estrangeiro, aparentes na expansão do investimento estrangeiro no país, em particular o investimento direto, que se acelerou de US$ 15 bilhões por ano entre 2002/5 para US$ 35 bilhões por ano em 2007/8. Não há dúvida, porém, de que esses três fatores mudaram de direção, isto é, podemos esperar queda de preços de commodities, desaceleração do comércio global e menores fluxos de capital".
A versão completa do artigo está disponível no blog de Schwartzman.
25.10.08
Causas da Grande Depressão (II)
N. G. Mankiw reexamina as causas da Grande Depressão de 1929 e discute a possibilidade de que a atual crise financeira americana leve a uma repetição dela, em artigo publicado em The New York Times.
18.10.08
Crise financeira tem múltiplas causas
A crise financeira americana não teve um determinante único - ela resultou da conjunção de várias causas. Essa é a interpretação tanto de Dani Rodrik como de Tyler Cowen. Para ambos, seja porque o conhecimento a respeito desse tipo de fenômeno é necessariamente imperfeito ou por má sorte, algo semelhante acabará acontecendo algum dia, de novo.
5.10.08
Falha de mercado na crise financeira americana
Robert Frank identifica a falha de mercado subjacente à crise financeira americana, em artigo na edição de hoje de The New York Times.
13.9.08
Crescimento (falta de) - educação (VII)
Informações sobre a situaçao da educação no Brasil, publicadas na coluna de Armando Castelar Pinheiro, na edição do Valor Econômico deste fim de semana:
- "De 1960 a 1980, a escolaridade média do brasileiro com 25 anos ou mais de idade estagnou em três anos de estudo".
- "Em 1980, só metade dos brasileiros de 15 a 17 anos de idade freqüentava a escola e só 15% estavam na série adequada de ensino".
- "O Brasil vem acordando para esse problema e os resultados aparecem. A escolaridade média da população de 25 anos ou mais subiu 2,4% ao ano em 1981-2005 e, já em 2000, 96% das crianças (7 a 14 anos) e 83% dos jovens (15 a 17 anos) freqüentavam a escola".
- "Apesar desses avanços, o Brasil ainda progride menos do que precisa e do que faz o resto do mundo. Em 1980, os brasileiros tinham, em média, um ano e meio de estudo a menos que a média de México, Malásia e África do Sul; em 2000, essa diferença dobrara".
- "Comparações internacionais mostram a precária qualidade do aprendizado em nossas escolas. No PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) de 2006, que avaliou 400 mil estudantes de 15 anos de idade em 57 países, o Brasil ficou na 50ª posição em leitura, 53ª em ciências e 54ª em matemática".
- "Aumentar o gasto com educação pode ajudar a melhorar esse quadro, mas a falta de recursos não é o problema principal. No Brasil, o setor público gasta cerca de 2,9% do PIB com ensino básico, contra uma média de 3,7% na OCDE. Mais importante, portanto, é elevar a eficiência do gasto".
7.9.08
Crescimento (falta de) - causas, segundo Roubini
"O Brasil está crescendo 4,8% ao ano - o que é, aliás, muito menos do que países como Rússia, Índia e China, que avançam entre 8% e 10%. Acho que a previsão de que o país crescerá entre 3% e 3,5%, em 2009, é muito otimista - eu acredito em 2%. Há sérios impedimentos estruturais ao crescimento que persistem, como a falta de infra-estrutura, falta de uma boa educação para a força de trabalho, tributação excessiva e gastos do governo elevados demais. Em resumo, foram feitas reformas macro e financeiras, agora o país precisa de reformas micro. Não acho que o atual presidente progredirá nessas reformas, vamos ver o próximo" (Nouriel Roubini, Folha de São Paulo - 7 de setembro de 2008).
Crescimento (falta de) - causas, segundo Hausmann
"O principal entrave ao crescimento do país é a falta de poupança do setor público. A origem do problema está nas despesas do governo. O estado deveria gastar menos do que arrecada. Ao fazer isso, a poupança pública aumentaria, deixando espaço disponível para os investimentos privados que poderiam crescer sem pressionar a inflação. O Brasil possui hoje a maior carga tributária entre todos os países emergentes e, mesmo assim, as contas públicas são deficitárias. A boa notícia é que, para alcançar esse objetivo, os gastos públicos não precisam ser cortados drasticamente. Basta que o governo deixe de ampliar suas despesas. Com o passar do tempo, o tamanho delas em relação ao PIB acabará caindo naturalmente. O fato é que o Brasil não conseguiu constituir um estado financeiramente viável, que não se endivide em demasia, que não tribute em excesso e que invista fortemente em infra-estrutura".




