17.2.14

Distribuição geográfica do PIB mundial - Renda Nacional Bruta per capita das regiões 2012


Distribuição geográfica do PIB mundial - Ranking dos países 2012


31.10.13

Produtividade total dos fatores no Brasil - dados da PWT 8.0


A par da estagnação do capital físico por trabalhador entre 1984 e 2011 (taxa de crescimento de apenas 0,77% ao ano, neste período), o outro fator que explica a estagnação do produto por trabalhador no Brasil, nas últimas três décadas, é o acentuado declínio da produtividade total dos fatores.

A produtividade total dos fatores aumentou 2,3 vezes, entre 1950 e 1980, e declinou de maneira quase contínua[1], a partir daí, situando-se, em 2011, em um nível 27% abaixo daquele alcançado em 1980.

Fonte dos dados: PWT8.0


[1] As únicas exceções relevantes são os períodos 1993/96 e 2006/2010, em que a PTF aumentou às taxas de 1,80% a.a. e 1,40 a.a., respectivamente.

Capital físico por trabalhador no Brasil - dados da PWT 8.0


O produto por trabalhador (Y/L) no Brasil aumentou 3,8 vezes, entre 1950 e 1980, ao passo que, nas três décadas seguintes, se elevou em apenas 10%.

Um dos fatores que explicam a estagnação do produto por trabalhador, a partir de 1981, é a queda na taxa de crescimento da relação capital físico por trabalhador (K/L), mostrada no gráfico acima.

O capital físico por trabalhador aumentou 2,5 vezes, entre 1950 e 1983, permaneceu estagnado durante o restante da década de 80, voltou a se elevar na década de 90 e teve seu crescimento interrompido novamente a partir de 2000. Entre 1984 e 2011, aumentou apenas 24%.

Fonte dos dados: PWT 8.0

29.8.13

Produtividade do trabalho no Brasil - dados da PWT 8.0


O produto por trabalhador (Y/L) praticamente quadruplicou (aumento de 3,8 vezes) no Brasil, entre 1950 e 1980, o que corresponde a uma taxa média anual de crescimento de 4,54% (ver gráfico)[1].

A produtividade do trabalho declinou acentuadamente na década de 80, com uma redução acumulada de 16%, entre 1980 e 1992. Embora tenha se recuperado a partir de 1993, ainda se encontrava em 2006 no mesmo patamar alcançado em 1980.

Entre 2007 e 2011, a produtividade do trabalho voltou a se elevar, apresentando, neste período, uma taxa de crescimento média de 2,10% ao ano.

Para o conjunto do período 1950/2011, a taxa média de crescimento anual do produto por trabalhador foi de 2,36%.

Tendo em conta a projeção para a taxa de crescimento da população em idade ativa (15 a 64 anos) de 1,0% ao ano, entre 2013 e 2020, mantidas a taxa de aumento da produtividade do trabalho observada entre 2007 e 2011 e a atual taxa de emprego (proporção dos empregados na população em idade ativa), a taxa de crescimento do PIB potencial no Brasil deverá se situar em torno de 3,0% ao ano, no restante da década.

Fonte dos dados: PWT 8.0


[1] Nestas estimativas, baseadas na série RGDPna da Penn World Table 8.0, não se desconta o efeito de mudanças nos termos de troca sobre o PIB e, portanto, sobre o produto por trabalhador.

3.8.13

Crescimento econômico no Brasil entre 2003 e 2011

De acordo com os dados da Penn World Table 8.0, o crescimento acumulado do PIB, no Brasil, durante o período 2003/2011 foi de 31,6%, implicando um aumento do PIB per capita de 20,0%, ou 2,04% ao ano.

No mesmo período, o crescimento acumulado do PIB por trabalhador foi de 6,0% (ou 0,65% ao ano), enquanto a proporção da população empregada aumentou de 45% para 51% (1,39% ao ano).

Duas conclusões importantes podem ser extraídas das informações acima:

(1) O crescimento do PIB por trabalhador no Brasil foi bastante baixo, entre 2003 e 2011. À taxa de crescimento anual observada neste período, são necessários 108 anos para dobrar o produto por trabalhador.

(2) Cerca de dois terços (68%) do crescimento do PIB per capita durante o governo Luís Inácio-Dilma se deveu ao aumento da proporção dos empregados na população total.

Note-se que os dados acima não captam integralmente a melhora do padrão de vida médio verificada no Brasil no período 2003/2011, porque refletem apenas o impacto do aumento da capacidade produtiva do país (medido pela série RGDPo, na Penn World Table 8.0) sobre o padrão de vida.

Como é bem sabido, o Brasil se beneficiou neste período de termos de troca favoráveis com o exterior, os quais na PWT 8.0 são levados em conta na série RGDPe[1]. O aumento acumulado da renda no Brasil, entre 2003 e 2011, quando o efeito dos termos de troca favoráveis é computado, o que corresponde à medida mais adequada da melhora do padrão de vida médio, foi de 39,6%, implicando um aumento per capita de 2,72% ao ano.

Em resumo, ao longo do período 2003/2001, tem-se no Brasil:

  • crescimento do produto por trabalhador (a) = 0,65% a.a.
  • crescimento da taxa de emprego – L/POP (b) = 1,39% a.a.
  • crescimento da renda per capita devido ao aumento da capacidade produtiva (a+b) = 2,04% a.a.
  • crescimento da renda per capita computado o efeito dos termos de troca favoráveis (c) = 2,72% a.a.
  • crescimento da população (d) = 1,03% a.a.
  • crescimento da renda total (c+d)= 3,78% a.a.
Assim, a expansão do emprego responde por cerca de metade da melhora do padrão de vida médio no Brasil, entre 2003 e 2011, com os ganhos de produtividade e os termos de troca com o exterior favoráveis respondendo, em proporção aproximadamente igual, pela outra metade daquela melhora.

Com o mercado de trabalho tendo se aproximado recentemente da situação de pleno emprego e sem a perspectiva de ganhos adicionais nos termos de troca com o exterior, a melhora do padrão de vida doravante dependerá principalmente do aumento da produtividade do trabalho, o qual, no entanto, como se mostrou acima, foi muito baixo na economia brasileira, na última década.



[1] Na definição adotada pela PWT 8.0, os termos de troca com o exterior são favoráveis a um país quando este exporta (importa) um dado produto a um preço maior (menor) do que o preço médio mundial.

2.8.13

PIB per capita do Brasil - dados da PWT 8.0

De acordo com a mais nova versão (8.0) da Penn World Table, o produto per capita do Brasil equivalia, em 2011, a 20,7% do produto per capita dos Estados Unidos[1].

O PIB per capita (Y/POP) de um país depende do PIB por trabalhador (Y/L) e da proporção da população total do país que está empregada (L/POP).

O hiato entre os produtos per capita do Brasil e dos Estados Unidos, em 2011, é mais do que explicado pelo hiato no produto por trabalhador, que, no Brasil, é apenas 18,3% daquele verificado nos Estados Unidos[2].

Como a proporção da população empregada no Brasil (51%) era maior do que nos Estados Unidos (45%) em 2011, o hiato do PIB per capita era algo menor do que o hiato no PIB por trabalhador.

O produto por trabalhador é uma função do capital físico por trabalhador (k), do capital humano por trabalhador (h) e da eficiência com que estes recursos produtivos são utilizados, a chamada produtividade total dos fatores (A):

Y/L = y = A kα  h 1-α

onde α é a elasticidade do produto em relação ao estoque de capital físico, equivalente, sob certas hipóteses, à participação do capital na renda.

A PWT 8.0 também traz informações sobre k e h, indicando que os valores de k e h no Brasil equivalem a 22% e 68%, respectivamente, dos valores observados nos Estados Unidos.  Supondo α=0,45, conforme estimado pela PWT8.0, isso implica que a produtividade total dos fatores no Brasil corresponde a apenas 44% da americana.

Se fosse possível elevar a PTF brasileira ao nível americano, tudo o mais constante, o produto por trabalhador brasileiro aumentaria 2,3 vezes. Um aumento do capital físico por trabalhador do Brasil para o valor observado nos Estados Unidos, coeteris paribus, aumentaria o produto por trabalhador do Brasil em 95%, enquanto o mesmo efeito para um aumento do capital humano por trabalhador seria de 23%.

Depreende-se da análise acima que o hiato do produto por trabalhador entre Brasil e Estados Unidos é devido principalmente à baixa eficiência na utilização de recursos produtivos e à baixa relação capital/trabalho no Brasil.
 



[1] Para a análise conduzida nesta postagem, fez-se uso da série do PIB designada como CGDPo, na PWT 8.0. Informações sobre os procedimentos adotados para estimação desta série e de outras séries do PIB reportadas na PWT 8.0, que serão utilizadas nas postagens que se seguirão, podem ser encontradas aqui.
[2] Em termos do produto por trabalhador, dentre os países do G-20, o Brasil supera apenas a Índia, a Indonésia e a China, enquanto na América do Sul supera apenas a Bolívia e o Paraguai.

29.9.12

Distribuição geográfica do PIB mundial - 2011 (II) - Ranking dos países



A tabela acima mostra a participação das 10 maiores economias nacionais no PIB mundial (um clique do mouse sobre a tabela permitirá melhor visualização).

Os 10 países listados respondem por 62% do PIB e 52% da população mundial.

A economia americana sozinha concentra 18,6% do PIB global, apresentando uma renda per capita 4,1 vezes maior do que a média mundial.

China e Índia, apesar de responderem juntas por 19,6% do PIB mundial, são países bastante pobres, com rendas per capita correspondentes a 17,5% e 7,6%, respectivamente, da renda dos Estados Unidos.

O grupo de grandes economias desenvolvidas formado por Japão, Alemanha, França, Reino Unido e Itália tem renda per capita no intervalo entre 64% e 80% da renda americana.

O Brasil é um país de renda média. Respondendo por perto de 2,8% tanto do PIB como da população mundial, possui uma renda per capita igual à média dos 182 países pesquisados e equivalente a 24,2% da renda americana.

As informações sobre PIB e população em que se baseia a tabela foram produzidas pelo Banco Mundial.

18.9.12

Distribuição geográfica do PIB mundial - 2011 (I)


A tabela acima foi construída a partir de informações do Banco Mundial sobre o PIB e a população de 182 países, em 2011 (um clique do mouse sobre a tabela permitirá visualização adequada).

As estimativas para o valor em dólares do PIB dos países foram obtidas através de taxas de câmbio baseadas no conceito de paridade do poder de compra (PPC). Taxas de câmbio PPC, por atribuírem ao dólar o mesmo poder de compra em todos os países, possibilitam que se compare de maneira apropriada o produto de diferentes economias nacionais.

O PIB mundial alcançou o valor de 81,2 trilhões de dólares em 2011.

O PIB per capita mundial, dada a população de 7 bilhões de pessoas, foi de 11.640 dólares, naquele ano.

Os países de alta renda concentram 54% da produção mundial e abrigam apenas 16% da população. Os países de renda baixa e média, onde residem 84% da população mundial, respondem por apenas 46% do produto.

A renda per capita dos Estados Unidos é 4 vezes maior do que a renda média mundial e 21 vezes maior do que a renda média da África Sub-Sahariana, a região mais pobre do planeta.

A América Latina e Caribe tem renda per capita próxima da renda média mundial.

21.6.12

Crescimento econômico no Brasil

Reuni neste link minhas notas de aula sobre crescimento econômico no Brasil.

8.5.12

Deflação

Desde o início da crise financeira internacional em 2008, os Bancos Centrais das economias desenvolvidas estão empenhados em evitar que a deflação, ou seja, uma queda generalizada de preços, se estabeleça, em decorrência da insuficiência de demanda agregada.

Por que uma deflação causada pela insuficiência de demanda é considerada indesejável? O principal motivo é que a deflação pode provocar novas reduções da demanda agregada, agravando a recessão e mesmo levando a economia a uma depressão.

A deflação pode causar redução da demanda agregada através dos seguintes canais:

1. Se os consumidores esperam uma queda futura de preços, podem adiar suas compras, reduzindo o gasto em consumo.

2. A redução dos salários pode afetar a confiança das famílias e, portanto, de novo, a sua propensão a consumir.

3. Quando a taxa de juros nominal alcança o seu limite inferior, ou seja, chega a zero, a deflação pode causar um aumento da taxa de juros real, o que induzirá a redução dos gastos em consumo e investimento e das exportações líquidas.

4. A deflação aumenta a dívida das famílias e empresas em termos reais, o que pode levar a queda das despesas de consumo e investimento.

5. Se, em decorrência do aumento da taxa de juros real e do valor das suas dívidas, em um contexto já recessivo, a inadimplência de famílias e empresas aumenta, uma crise financeira pode ocorrer. A consequente redução do crédito provocará queda da demanda agregada.

6. A compressão dos lucros, decorrente da queda dos preços, combinada com o aumento da taxa de juros real, pode causar um colapso do gasto em investimento das empresas.

23.4.12

Variação nos termos de troca e taxa de crescimento do PIB no Brasil


Nas análises sobre crescimento, convém ter sempre em mente o alerta de Easterly, Kremer, Pritchett e Summers (1993):

"Com algumas poucas e famosas exceções, os mesmos países não são bem sucedidos período após período; os países costumam ser 'histórias de sucesso', em um período, e fracassos, no período seguinte".

Easterly, Kremer, Pritchett e Summers  (1993) sugerem que boa parte desta variância das taxas de crescimento pode ser explicada por choques relacionados com os termos de troca. Quando variáveis medindo tais choques são acrescentadas a equações de crescimento do tipo Barro, elas apresetam um elevado poder explicativo. O fato de que estes choques apresentam, eles próprios, uma persistência reduzida é apontado como uma evidência a mais de sua relevância para a explicação das (também pouco persistentes) taxas de crescimento.

O gráfico acima mostra a estreita conexão entre a variação nos termos de troca e a taxa de crescimento do PIB no Brasil, durante o período 1995/2011. O coeficiente de correlação simples entre as duas variáveis é 0,71. A regressão sugere que um aumento de 10% nos termos de troca está associado a um aumento absoluto de 2,5 pontos percentuais na taxa de crescimento do PIB.

O índice dos termos de troca com o exterior se elevou em 36,7%, entre 2004 e 2011, e certamente contribuiu para a aceleração do crescimento, verificada naqueles anos. Estes ganhos, entretanto, provavelmente tenderão doravante a ser revertidos, pelo menos em parte.


Referência: Easterly, W.; M. Kremer; L. Pritchett e L. Summers (1993). Good policy or good luck? Country growth performance and temporary shocks, Journal of Monetary Economics 32, p. 459-483.

24.2.12

Evolução da produtividade do trabalho no Brasil - 1950 / 2010


Produto por hora (US$ de 2011) - 1950 / 2010

A produtividade do trabalho triplicou no Brasil, entre 1950 e 1980, elevando-se de 3,04 dólares por hora para 9,09 dólares por hora (preços de 2011), de acordo com as estimativas da Total Economy Database. A partir de 1980, a produtividade do trabalho declina, tendo a média do período 1981-1994 alcançado 8,27 dólares por hora. Apenas em 1995, a produtividade do trabalho retornaria ao nível atingido em 1980, elevando-se, a partir daí, a uma taxa média anual de 0,76%, entre 1995 e 2003, e de 1,69%, entre 2004 e 2010, alcançando 10,59 dólares, neste último ano.

26.12.11

Crescimento da população em idade ativa

Crescimento da população em idade
ativa (15 a 64 anos) no Brasil - % ao ano

1980 / 1990 - 2,6%
1990 / 2000 - 2,3%
2000 / 2010 - 1,6%
2010 / 2020 - 1,2%
2020 / 2030 - 0,3%

Fonte: IBGE

24.12.11

Custos da mão de obra industrial no Brasil

Dados reportados em artido de Alex Ribeiro, na edição do Valor Econômico deste fim de semana:
"Os custos de mão de obra industrial no Brasil subiram 24% em 2010, para US$ 10,08 a hora, puxados pela valorização do câmbio e aumento real de salários, mostram estatísticas compiladas pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, que comparam 34 das mais importantes economias industriais do mundo. Ainda assim, o Brasil tem custo de mão de obra industrial maior que apenas 6 dos países incluídos na amostra, entre eles a Polônia (US$ 8,01 a hora) e o México (US$ 6,23). O custo mais baixo é nas Filipinas, com US$ 1,90 a hora. Por deficiências estatísticas, o levantamento não inclui Índia e China, mas as indicações são de que nesses países os custos são bem mais baixos do que no Brasil. O custo mais alto de mão de obra é o da Noruega, com US$ 57,53 por hora, num conceito que inclui salários pagos aos trabalhadores e benefícios. Nos Estados Unidos, o custo médio é de US$ 34,74 a hora, o que representa mais de três vezes o custo de produzir no Brasil. A Argentina tem custo pouco mais alto que o Brasil, com US$ 12,66 a hora".

Lei da oferta e da procura


Como se vê na fotografia acima, a mercadoria em questão, cujo preço foi reduzido em 74%, padece de insuficiência de demanda.

16.12.11

Economistas e teoria econômica - a má reputação é merecida

Economistas talvez sejam free riders natos. Estudar teoria econômica pode transfomar bons cidadãos em  free riders. Leia aqui.

Adendo: N. G. Mankiw comenta o artigo nesta postagem.

13.11.11

Taxa de matrícula no ensino superior no Brasil

Informações de editorial da Folha de São Paulo -10 de novembro de 2011:
"De acordo com dados do Censo da Educação Superior de 2010, o número de alunos em algum curso de graduação já soma 6,4 milhões de estudantes, no Brasil. Em uma década, a alta foi de 110%. Entretanto, nossa taxa de escolarização bruta no ensino superior (a relação entre o número de alunos matriculados e a população de 18 a 24 anos) é de 36% (dados de 2009), praticamente a mesma do Paraguai (37%) e bem abaixo dos 59% do Chile ou 69% da Argentina. Quando a comparação é com os países desenvolvidos, o fosso se aprofunda. Na Espanha, são 73%, nos EUA, 89% e, na Finlândia, 92%".

29.10.11

Determinantes do hiato de produtividade entre o Brasil e os Estados Unidos

Por que a produtividade do trabalho (Y/h) no Brasil equivale a apenas 17,1% da produtividade americana (10,59 dólares por hora, em comparação com 61,75 dólares por hora, em 2010)?

Para responder a esta pergunta, faz-se uso da decomposição proposta por Hall e Jones (1999), derivada do modelo de crescimento de Solow, ampliado para incorporar a contribuição do capital humano.

Na decomposição de Hall e Jones (1999), supõe-se que a função de produção é do tipo Cobb-Douglas, sendo o produto por hora dado por

(Y/h) = A (e ^ r u) {(K/Y) ^ [(a/(1 - a)]}

onde

A = produtividade total dos fatores (PTF)
K = estoque de capital físico
e ^ r u = capital humano por trabalhador
r = retornos da educação
u = escolarização média

Seguindo Hall e Jones (1999), admite-se:

• participação do capital na renda (a) de 1/3.

• retornos da educação decrescentes e equivalentes a 13,4% para os primeiros 4 anos de escolarização, 10,1% para os 4 anos seguintes e 6,8% para os anos restantes.

• relação capital-produto no Brasil equivalente a 76,2% da americana.

Para estimativa do capital humano por trabalhador, dados os retornos acima mencionados, recorreu-se ainda a Barro e Lee (2011), que reportam 7,178 anos e 13,27 anos como a escolaridade média da população de 25 anos e mais no Brasil e nos Estados Unidos, respectivamente, em 2010.

Tomando-se o valor para os Estados Unidos como equivalente a 1, as estimativas para o Brasil dos três termos que compõem a equação (1) foram:

A = 0,305
e ^ ru = 0,643
(K/Y) ^ [a/(1 - a)] = 0,873

Assim, se a relação capital-produto no Brasil fosse igual à dos Estados Unidos, tudo o mais constante, o produto por hora brasileiro seria 19,6% do americano (em lugar de 17,1%), enquanto a razão entre as produtividades do trabalho, obtida atribuindo-se ao Brasil o mesmo capital humano e produtividade total dos fatores dos Estados Unidos, seria 26,6% e 56,1%, respectivamente.

Em outras palavras, seria possível mais do que triplicar a produtividade do trabalho no Brasil se a economia brasileira apresentasse o mesmo nível de eficiência produtiva alcançado pela economia americana, enquanto o impacto sobre o produto por hora de elevar para o nível americano os valores da relação capital-produto e do capital humano por trabalhador seria de 15% e 56%, respectivamente.

Este exercício sugere, portanto, que a diferença na produtividade do trabalho entre o Brasil e os Estados Unidos se deve fundamentalmente à ineficiência na utilização de fatores de produção no Brasil.

Tal conclusão não se alteraria substancialmente caso se adotasse: (i) a estimativa de Heston, Summers e Aten (2011) de 19% para a razão entre os produtos por hora brasileiro e americano em 2009, (ii) o valor de 0,4 para a participação do capital na renda, sugerido por Ferreira, Pessoa e Veloso (2011), e (iii) uma estimativa algo inferior à de Hall e Jones (1999) para a relação capital-produto no Brasil (66,7% da americana). Nesse caso, a produtividade total dos fatores no Brasil corresponderia a 38,7% do que é observado nos Estados Unidos, continuando a explicar a maior parte do hiato do produto por hora.

A estimativa de uma PTF no Brasil equivalente a 30,5% (38,7%) da PTF americana foi obtida, seguindo Hall e Jones (1999), a partir da função de produção agregada com progresso técnico Solow-neutro, isto é, da função Y= (K^a) [A (e^ru) h]^(1-a). Caso se tivesse adotado, neste exercício, a função de produção agregada com progresso técnico Hicks-neutro, isto é, a função Y= A (K^a) [(e^ru) h]^(1-a), a estimativa da PTF brasileira corresponderia a 45% (56,6%) da PTF dos Estados Unidos.


Referências

Barro, R. e J. Lee (2011). Barro-Lee Education Attainment Data Set.

The Conference Board (2011). Total Economy Database.

Ferreira, P., S. Pessoa e F. Veloso (2011). On the Evolution of TFP in Latin America. EPGE Ensaios Econômicos no. 723.

Hall, R. e C. Jones (1999). Why Do Some Countries Produce So Much More Output Per Worker Than Others? The Quarterly Journal of Economics, 114(1), pags. 83-116.

Heston, A., R. Summers e B. Aten (2011). Penn World Table Version 7.0, Center for International Comparisons of Production, Income and Prices at the University of Pennsylvania.

Maddison, A. (2010). Historical Statistics of the World Economy 1-2008 AD.

25.10.11

Determinantes da diferença de renda per capita entre o Brasil e os Estados Unidos



     Hiato de renda Brasil - Estados Unidos   2010 (US$ 2011) 
 Variável            Brasil    Estados Unidos
 PIB (Y)    US$ 1,968 trilhões US$ 14,723 trilhões
 População (POP)        201,1 milhões      308,9 milhões
 Horas trabalhadas (h)        185,9 bilhões      238,4 bilhões
 Emprego        101 milhões      140,7 milhões
 Y/POP      US$ 9.787     US$ 47.663
 Y/h      US$ 10,59     US$ 61,75
 h/L     1841 horas    1.695 horas
 L/POP           0,5         0,45


O PIB per capita pode ser decomposto em cinco fatores determinantes:

Y / POP = (Y / h) (h / L) (L / PEA) (PEA / PIA) (PIA / POP)

onde

Y = PIB
POP = população
h = total de horas trabalhadas
L = total de trabalhadores empregados
PEA = população economicamente ativa
PIA = população em idade ativa

sendo

Y / POP = PIB per capita
Y / h = produto por hora (produtividade do trabalho)
h / L = horas médias trabalhadas
L / PEA = taxa de emprego
PEA / PIA = taxa de atividade
PIA / POP = estrutura etária

A Total Economy Database traz informações relativas ao ano de 2010 para as variáveis Y, POP, h e L, o que possibilita decompor o hiato de renda per capita entre o Brasil e os Estados Unidos entre as diferenças na produtividade do trabalho (Y/h), horas médias trabalhadas (h/L) e proporção empregada da população total (L/POP).

Os dados mostrados na tabela acima indicam que o hiato de renda entre Brasil e Estados Unidos é mais do que explicado pelo hiato na produtividade do trabalho.

A produtividade do trabalho no Brasil alcançava apenas 17,1% da produtividade nos Estados Unidos, em 2010. A média maior de horas trabalhadas e a proporção mais elevada dos empregados na população total em relação aos Estados Unidos permitiram ao Brasil compensar um pouco a desvantagem no produto por hora e alcançar um PIB per capita equivalente a 20,5% do americano, em 2010.

23.10.11

Diferença de renda per capita entre o Brasil e os países desenvolvidos


Hiato de renda entre o Brasil e os países desenvolvidos

A tabela acima traz informações sobre o hiato de renda entre o Brasil, de um lado, e os Estados Unidos, as cinco maiores economias européias e o Japão, de outro, indicando em que ano os países selecionados alcançaram o nível de PIB per capita observado no Brasil em 2008. Assim, os Estados Unidos alcançaram o nível de renda brasileiro de 2008 em 1926, ou seja, 82 anos antes, e a Espanha em 1971, com uma antecedência de 37 anos.

Diferença de renda per capita entre o Brasil e os Estados Unidos



Razão entre os PIBs per capita do Brasil e dos Estados Unidos

Em 1820, o PIB per capita do Brasil correspondia a 51,4% do PIB per capita dos Estados Unidos.

A razão entre os PIBs per capita brasileiro e americano se reduziu a 29,2%, em 1870, e a 16,6%, em 1900, tendendo a permanecer em torno deste último valor até 1955 (média entre 1900 e 1955 equivalente a 16,7%), com desvios mais pronunciados apenas durante a Grande Depressão (22,5%, em 1933) e a Segunda Guerra Mundial (11,2%, em 1944) - ver o gráfico acima.

Ao longo do governo Kubitschek (1956 - 1961), o hiato de renda entre o Brasil e os Estados Unidos começou a se reduzir, processo interrompido pela recessão 1962/67, mas retomado a partir de 1968.

Devido ao acelerado crescimento econômico verificado durante o período do chamado "milagre econômico", o PIB por habitante do Brasil em 1980 equivalia ao dobro do seu valor em 1967, alcançando 28% do PIB por habitante dos Estados Unidos, nível que havia sido observado pela última vez um século antes, em 1878.

As décadas de 80 e 90 do século XX foram de divergência, com a razão entre os PIBs per capita declinando para menos de 20%, patamar do qual só começaria a se afastar novamente em 2007.

Fonte: Angus Maddison (2010). Historical statistics of the world economy 1 -2008 AD.

9.8.11

Distribuição geográfica do PIB mundial - 2010 (II) - ranking dos países

 

(Informações para o ano de 2011 podem ser obtidas aqui).
 
A tabela acima mostra a participação das 10 maiores economias nacionais no PIB mundial (um clique do mouse sobre a tabela permitirá melhor visualização).

Os 10 países listados respondem por 62% do PIB e 52% da população mundial.

A economia americana sozinha concentra 19% do PIB global, apresentando uma renda per capita 4,2 vezes maior do que a média mundial.

China e Índia, apesar de responderem juntas também por 19% do PIB mundial, são países bastante pobres, com rendas per capita correspondentes a 16% e 7,5%, respectivamente, da renda dos Estados Unidos.

O grupo de grandes economias desenvolvidas formado por Japão, Alemanha, Reino Unido, França e Itália tem renda per capita no intervalo entre 66% e 80% da renda americana.

O Brasil é um país de renda média. Respondendo por perto de 3% tanto do PIB como da população mundial, possui uma renda per capita igual à média dos 180 países pesquisados e equivalente a 24% da renda americana.

As informações sobre PIB e população em que se baseia a tabela foram produzidas pelo Banco Mundial.

8.8.11

Distribuição geográfica do PIB mundial - 2010 (I)




(Informações para o ano de 2011 podem ser obtidas aqui).
 
A tabela acima foi construída a partir de informações produzidas pelo Banco Mundial sobre o PIB e população de 180 países, em 2010 (um clique do mouse sobre a tabela permitirá melhor visualização).

As estimativas para o valor em dólares do PIB dos países foram obtidas através de taxas de câmbio baseadas no conceito de paridade do poder de compra (PPC). Taxas de câmbio PPC, por atribuírem ao dólar o mesmo poder de compra em todos os países, possibilitam que se compare de maneira apropriada o produto de diferentes economias nacionais.

O PIB mundial alcançou o valor de 76,3 trilhões de dólares em 2010.

O PIB per capita mundial, dada a população, de 6,9 bilhões de pessoas, foi de 11 128 dólares, naquele ano.

Os países de alta renda concentram 55% da produção mundial e abrigam apenas 16,4% da população. Os países de renda baixa e média, onde residem 83,6% da população mundial, respondem por apenas 45% do produto.

A renda per capita dos Estados Unidos é 4,2 vezes maior do que a renda média mundial e 21 vezes maior do que a renda média da África Sub-Sahariana, a região mais pobre do planeta.

A América Latina e Caribe tem renda per capita praticamente equivalente à média mundial.

7.8.11

Mercado de casamentos

Robert Frank expõe como funciona o mercado de casamentos, na coluna Economic View deste domingo, em The New York Times. O modelo ajuda a explicar a revolução sexual dos anos 60 e o tamanho das residências e atitude em relação ao risco hoje na China.

25.7.11

Produtividade total dos fatores e crescimemto econômico na América Latina

O atraso das economias latinoamericanas se deve principalmente à ineficiência produtiva, não à falta de investimento, de acordo com Eduardo Lora e Carmen Pagés, economistas do Banco Interamericano de Desenvolvimento, em artigo publicado na revista Finance and Development. Os determinantes da baixa produtividade total dos fatores na AL são analisados no artigo.

10.7.11

Mudança estrutural e aumento da produtividade

Margaret McMillan e Dani Rodrik argumentam, neste NBER Working Paper, que a diferença nas taxas de crescimento da produtividade do trabalho verificada entre a América Latina e a África, de um lado, e a Ásia Oriental, de outro, no período 1990/2005, se explica em boa medida por diferenças no padrão de "mudança estrutural", isto é, mudanças na composição do emprego. Na América Latina e África, a participação dos setores de baixa produtividade no emprego total aumentou, enquanto na Ásia Ocidental se reduziu. A "mudança estrutural" tende, em geral, a afetar negativamente o aumento da produtividade em países com vantagem comparativa em recursos naturais, moeda sobrevalorizada e mercados de trabalho pouco flexíveis.

28.6.11

Crescimento econômico durante o governo Lula - 2003/10

Durante o governo Lula, a taxa de crescimento do PIB no Brasil foi equivalente a pouco mais da metade da taxa de crescimento dos países emergentes e em desenvolvimento e semelhante à taxa de crescimento da economia mundial.

Taxa de crescimento do PIB - 2003/2010 (% ao ano)

Mundo - 3,87%
Emergentes e em Desenvolvimento - 6,75%
América Latina e Caribe - 4,07%
Brasil - 3,98%

Note-se que, excluído o Brasil do seu cômputo, a taxa de crescimento da América Latina e Caribe, entre 2003 e 2010, foi maior do que a registrada acima e, portanto, ficou ainda mais distante da taxa de crescimento brasileira.

Fonte: FMI - World Economic Outlook, Abril de 2011

18.9.10

Investimento e déficit em conta corrente

Da coluna de Alexandre Schwartzman, na Folha de São Paulo - 15 de setembro de 2010:
  • Nos últimos 62 trimestres, observa-se clara relação positiva entre a razão investimento-PIB e o deficit externo - o investimento e o deficit externo caminham na mesma direção. Há outro fato interessante: praticamente toda vez que o investimento supera 17,5% do PIB, as importações excedem as exportações; apenas em três trimestres (desde 1995) isso não ocorreu.
  • Tal fenômeno reflete a baixa poupança nacional. De 2000 para cá, a poupança bruta atingiu, em média, pouco mais de 17% do PIB, tomando-se como base os números trimestrais sazonalmente ajustados, não por acaso patamar bastante semelhante àquele a partir do qual o nível do investimento corresponde a deficit externos.
  • A reduzida poupança nacional não parece resultar de um consumo privado particularmente elevado. O consumo brasileiro, em torno de 63% do PIB, além de inferior à média de Argentina, Chile, Colômbia e México, é também o menor nessa (limitada) amostra.
  • A grande diferença refere-se ao consumo do governo. Em 2009, o gasto público nesse conceito atingiu pouco menos de 21% do PIB, enquanto na média daqueles países ficou em 13,6% do PIB.
  • Se o governo estivesse mesmo preocupado com a evolução das contas externas, o remédio seria um programa de austeridade fiscal. Isso se traduziria em redução da demanda doméstica, permitindo a queda da Selic e a consequente depreciação cambial e redução do deficit externo.

30.8.10

Hausmann e a fantasia lulista

Trechos da entrevista de Ricardo Hausmann, publicada na edição de hoje da Folha de São Paulo:
  • "O principal problema com muitos países é que, quando as coisas começam a parecer bem, eles se tornam arrogantes. Passam a acreditar num mundo de fantasia. Só porque teve por um trimestre uma taxa de crescimento acima de 7%, o Brasil agora é a nova China e o Lula é um gênio das finanças, e todos os problemas anteriores não existem mais porque o Brasil é um país diferente. Há toda uma narrativa que tem sido criada por conta de alguns bons trimestres que pode levar a políticas macroeconômicas muito inconvenientes. Quando o Lula foi eleito, em 2002, houve uma crise econômica e ele foi muito cuidadoso. Agora, eles começaram a pensar que sabem mais e estão menos dispostos a serem cuidadosos. Estão se tornando mais ideológicos".
  • "Você tem uma política macroeconômica em que o BNDES tem o pé no acelerador e o Banco Central tem o pé no freio. Essa combinação deixa a SELIC muito alta em um período em que as taxas de juros globais estão muito baixas. Isso leva os investidores a pegar dinheiro emprestado em dólares, em ienes ou em euros para colocar no Brasil, o que gera uma forte apreciação da taxa de câmbio e a possibilidade de desindustrialização".
  • "A deterioração do déficit em conta-corrente indica que a expansão do gasto é mais rápida do que a expansão da produção. O efeito disso é apreciar a taxa de câmbio, desestimulando as atividades exportadoras, para liberar recursos produtivos para atender a esse boom temporário do consumo. Todas as indicações são de que as condições fiscais e a política financeira do setor público são excessivamente expansionistas. Isso vai causar prejuízo para as perspectivas de crescimento de longo prazo".
  • "Lula construiu um capital político enorme, mas esse capital político não se traduziu em nenhuma reforma significativa. Ele não tem nada a mostrar em termos de ter resolvido problemas antigos relacionados à baixa taxa de poupança, ao sistema de previdência, à infraestrutura, a ter uma estrutura tributária mais normal e funcional. Apesar do seu enorme capital político, ele não foi capaz de fazer nenhuma reforma significativa como as feitas pelo antecessor dele. E, recentemente, ele tem se movido na direção contrária. A grande sorte do presidente Lula foi ter tido um ótimo antecessor . O próximo presidente do Brasil não terá a mesma sorte".

30.5.10

Objetivos de Desenvolvimento do Milênio - mortalidade infantil e materna

A mortalidade de crianças abaixo de 5 anos, de acordo com dados para 187 países, deverá se reduzir de 11,9 milhões, em 1990, para 7,7 milhões, em 2010, segundo artigo publicado em The New York Times.

O número de mortes de mulheres em decorrência de gravidez ou parto se reduziu de 526,3 mil, em 1980, para 342,9 mil, em 2008, conforme outro artigo no mesmo jornal.

23.5.10

Restrições ao crescimento econômico no Brasil

Quais são as principais restrições ao crescimento econômico no Brasil? Uma excelente análise dessa questão é apresentada por Juan Blyde e co-autores, em artigo da seríe Technical Notes, publicada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento.  

Economia da felicidade

Ben Bernanke resume os principais achados e recomendações da teoria econômica da felicidade, neste discurso para os formandos de 2010 da University of South Carolina.

20.2.10

Maior torcida de Minas (e de Belo Horizonte) (II)


O Cruzeiro venceu novamente o Atlético hoje. Nos últimos 12 jogos, derrotou a patética competição local 9 vezes e perdeu apenas 1 vez, com o time reserva.

O melhor time de Minas possui também a maior torcida. Em Belo Horizonte, 43% da população torcem pelo Cruzeiro e 30% pertencem à definhante torcida adversária. Em Minas Gerais, a torcida do Cruzeiro é duas vezes maior do que a definhante - 31% contra 15%. Os dados são de pesquisa do Data Folha, realizada entre 14 e 18 de dezembro de 2009.

(As flanelinhas da foto representam um agradecimento ao Atlético por ter guardado a vaga do Cruzeiro na Copa Libertadores 2010, durante todo o campeonato brasileiro do ano passado).

Política macroeconômica depois da Grande Recessão

Que lições para a condução da política macroeconômica decorrem da crise financeira de 2008 - 09? Olivier Blanchard e co-autores oferecem uma resposta, neste artigo.

17.1.10

A crise financeira americana, segundo Bernanke

Ben Bernanke defendeu, em palestra realizada em 3 de janeiro, no Encontro Anual da American Economic Association, a política monetária adotada pelo Federal Reseve Bank, entre 2001 e 2006. Alguns economistas proeminentes, como John Taylor, têm responsabilizado esta política pela formação da bolha no mercado de imóveis que esteve na origem da crise financeira de 2007-2009. De acordo com Bernanke, a política monetária adotada pelo FED, naquele período, não parece tão "frouxa", quando se considera, como seria correto, a expectativa de inflação então prevalecente, em lugar da inflação corrente.

Além disso, não há, segundo Bernanke, relação econômica e estatisticamente significativa entre o grau de acomodação da política monetária e a apreciação real dos imóveis, quando se examina a evidência para 20 países desenvolvidos, entre 2002 e 2006. O aumento real do preço dos imóveis, nesta amostra de países, está associado, em parte, à entrada de capital estrangeiro, o que seria consistente com a hipótese de excesso de poupança na economia mundial ("savings glut"), proposta anteriormente pelo próprio Bernanke.

Para Bernanke, a bolha no mercado imobiliário se deveu a falhas na regulação e supervisão do sistema financeiro, não a erros na condução da política monetária.

30.12.09

Ciclo de negócios no Brasil



Fonte: Comitê de Datação de Ciclos Econômicos -
Valor Econômico, 29 de dezembro de 2009

22.11.09

Ajuda econômica internacional

Nicholas Kristof resume o debate atual sobre a efetividade da ajuda econômica internacional aos países pobres, em artigo publicado em The New York Times.

18.11.09

Produtividade total dos fatores - taxa de crescimento 1990 / 2008



Reproduzido de The Economist - edição desta semana.

2.11.09

Avanços da escolaridade no Brasil



Da coluna de Naércio Menezes, no Valor Econômico deste fim de semana:
  • "A figura acima mostra que a porcentagem de jovens que, aos 22 anos de idade, tinha concluído apenas alguma série do ensino fundamental era de 60% em 1998 e declinou para 30% em 2008. A parcela de jovens que atinge o ensino médio passou de 30% para 50%, enquanto a parcela que chega ao ensino superior está perto de 20%, ou seja, dobrou nos últimos 10 anos. Analisar o perfil educacional dos mais jovens é importante porque as mudanças na margem antecipam o que acontecerá com os trabalhadores do país no futuro, quando esses jovens forem incorporados ao mercado de trabalho, se o ritmo da evolução educacional permanecer o mesmo".
  • "Ainda há muito a ser feito, em termos de acesso à educação no Brasil. Somente 55% dos nossos jovens entre 25 e 29 anos de idade completam pelo menos o ensino médio. Nos EUA, essa porcentagem atualmente é de 90%. Ela era 55% em 1950, ou seja, estamos 58 anos atrasados. Com relação ao ensino superior, 30% da população americana acima de 25 anos de idade hoje tem ensino superior, enquanto no Brasil esse índice ainda é de 10%".
  • "Em termos salariais, continua valendo a pena estudar, apesar da entrada maciça de jovens mais educados no mercado de trabalho. Entre os empregados, o salário médio dos que pararam de estudar em alguma série do ensino fundamental dobrou nos últimos 10 anos, passando de R$ 305 para R$ 605, como resultado dos aumentos reais de salário mínimo. O salário médio das pessoas que concluíram o ensino médio aumentou 48% no mesmo período, enquanto a remuneração dos formados no ensino superior aumentou só 35%. Mesmo assim, quem completa o ensino superior hoje no Brasil recebe, em média, R$ 2.500, cerca de 4 vezes mais do que quem parou de estudar no ensino fundamental. Já a diferença salarial entre quem completa o ensino médio e quem tem somente o ensino fundamental é de 59%".

1.11.09

Crise financeira internacional de 2008

Abaixo links para um excelente conjunto de artigos relativos à crise financeira internacional de 2008:

Alan Greenspan. The roots of the mortgage crisis.

Alan Greenspan. The Fed didn’t cause the housing bubble.

Barry Eichengreen. The last temptation of risk.

Dani Rodrik. Who killed Wall Street.

Guido Tabellini. Lessons for the future: ideas and rules for the world in the aftermath of the storm.

John Taylor. How government created the financial crisis.

Martin Wolf. Financial globalisation, growth and asset prices.

Robert Frank. Pursuit of an edge, in steroids or stocks.

Robert Frank. Flaw in free markets: humans.

Robert Shiller. How a bubble stayed under the radar.

Tyler Cowen. Three trends and a train wreck.

29.8.09

Valorização da taxa de câmbio - a doença brasileira

Porque a taxa de câmbio tende à valorização no Brasil, de acordo com Samuel Pessoa, em matéria publicada no Valor Economico:

"O nível do câmbio está muito associado ao nível de poupança do país. Países que poupam pouco, como o Brasil (no primeiro trimestre, foram apenas 11,1% do PIB), tendem a ter um câmbio mais valorizado. A China, que poupa cerca de metade do PIB, tem facilidade para ter uma taxa de câmbio desvalorizada. Assim, a melhor opção para o Brasil ter uma moeda mais competitiva seria aumentar o nível de poupança pública, o que passa pela contenção de gastos públicos".

Educação básica no Brasil

Dados publicados no livro "Educação Básica no Brasil", organizado por Fernando Veloso, Samuel Pessoa, Ricardo Henriques e Fábio Giambiagi:
  • Enquanto apenas 30% da população com 25 anos a 64 anos de idade completou o ensino médio no Brasil, o percentual atinge 88% nos Estados Unidos, 83% na Alemanha, 77% na Coréia do Sul e 50% na Espanha e Chile.
  • Comparando-se esse indicador para os grupos etários de 25 a 34 anos (os jovens de hoje) e de 55 a 64 anos (os jovens de três décadas atrás), verifica-se que, na Espanha, no grupo de 55 a 64 anos, apenas 27% têm ensino médio completo, ao passo que entre os mais jovens (25 a 34 anos) o percentual atinge 64%. No Chile, tais porcentagens são de 32% e 64%, respectivamente. Na Coréia do Sul, não apenas os mais idosos têm níveis de educação similares aos dos jovens de hoje no Brasil (37%), mas o percentual de jovens que concluiu o ensino médio atingiu 97%. No Brasil, as mesmas percentagens correspondem a 11% e 38%, uma diferença de 27%, bem menor do que os 60% de diferença da Coréia do Sul.

2.8.09

Redução da criminalidade

Em 2000, ocorriam em média 15 assassinatos por dia em São Paulo - capital. Agora, são 3,5. As causas desta redução, segundo a Folha de São Paulo, foram a forte expansão no número de unidades prisionais, o investimento na capacitação policial, o aperfeiçoamento de métodos e o aumento dos índices de elucidação de crimes, o fim das grandes ondas de migração e a elevação da idade média da população.

Em artigo em The New York Times, também publicado hoje, estes e outros fatores são mencionados como explicação para a queda rápida e generalizada das taxas de criminalidade nos Estados Unidos, mas a conclusão é que não se sabe ao certo o que está por trás desta tendencia.

26.7.09

Investimento e déficit em conta corrente


Affonso Celso Pastore explica, em entrevista para o Valor Econômico - edição de 21 de julho, porque a aceleração do crescimento no Brasil tende a ser acompanhada por aumento no déficit em transações correntes:
  • "Superávits em conta corrente estão associados no Brasil a menor investimento, como mostra a evolução trimestral da conta corrente como proporção do PIB e da taxa de investimento (a preços de 2000), desde 1995".
  • "Para acelerar o crescimento, é preciso, portanto, aceitar déficits em conta corrente. Isto somente não ocorreria se houvesse uma elevação da poupança nacional, mas não há indicação de que a atual política econômica esteja levando a esse resultado. O Brasil poupa menos de 20% do PIB - no primeiro trimestre de 2009, apenas 11,1% do PIB. Com uma conta corrente deficitária, o país absorve poupança externa, que complementa a baixa poupança nacional".
  • "O consumo das famílias na China atualmente é de 35% do PIB, muito mais baixo do que o consumo em relação ao PIB no Brasil (superior a 60%). A China poupa 50% do PIB, o que lhe permite manter superávits na conta corrente e taxas muito elevadas de crescimento. Se o Brasil quiser seguir este modelo, terá que elevar a poupança nacional, o que significa, entre outras coisas, que o governo tem de parar de aumentar os gastos de custeio e de consumo, elevando os investimentos".